26.5.07

choque

Falta-me atropelar os teus sentimentos para perceber se te arranco alguma dor nas tuas emoções, para saber que são verdadeiros, para saber que vivem. Vivem especialmente em ti e por mim.


(...)

24.5.07

afonia à segunda palavra

Escorre de lá de fora para aqui. E parece-me que não vai parar de ser assim.
Talvez seja para acalmar a voz que me arde cá dentro, que não sai e me esgana. Que me rói e me faz soltar um amontoado de palavras falsas, fantasmas do seu próprio significado. Tentei expulsar-te de mim, mas, mais uma vez, as frases queimaram-se e eu feri-me. Agora doi-me!... doi-me o lugar intermédio em que te continuo a esperar todas as mesmas tardes. Perseguem-me as horas, os minutos e todos os segundos que sobrevives no meu interior. O teu respirar esvoaça, e assusta os meus gestos. Quando me deito, fecho os olhos e lá estás tu, a arrancar tudo o que vês em mim, se me arrancasses pelo menos duas palavras, saberias como me sinto com e sem ti ao mesmo tempo.


É é como se, para não me deixar, tivesse que te soltar primeiro.