27.11.06

pré-abraçar-te



"É estranho tocares cá dentro e ao mesmo tempo sentir o teu corpo tão longe de mim."










- é o que basta dizer quando se dão aqueles momentos apertados em nós.

24.11.06

entre tempos

Acho que a necessidade que qualquer um de nós tem de se exprimir, exprime-se essencialmente quando somos abandonados em nós próprios. Quando os outros se escondem, se afastam e deles nada nos toca. Abafamos a mágoa, muitas vezes, em lágrimas que, apesar da vontade, não aconteceram; em sentimentos abalados pela tristeza de uma música tórpida, surda de se ouvir.
Assim como agora. Assim como os passos de agora. As tais mágoas e tristezas de agora. (...)

Saber que se tem um mundo por descobrir, imprevisivelmente inconstante. Saber que tu é que estás certa e não consiguir converter nada nem ninguém para essa certeza... Teres um pé atrás e outro à frente e saber que este último cada vez se aproxima mais e mais do fim de tudo. E então? É triste. (...)

Mas deixemos correr. Afinal este é só o nosso carma. O que merecemos de facto, e só isso. Amar? Quando amamos de mais, caímos sem aviso. Faz parte.






the dumbing down of love.

1.11.06

pisar passados

Recordar vidas, vozes, cheiros. Recordar aqueles que nos foram mais queridos um dia, acentuar a falta que cada um deles nos faz todos os dias.
Talvez seja só este dia, mas antes este dia.
A vida está entre duas datas: a que se nasce e a que se morre. Nada mais objectivo que isto, nada mais importante que isto. Criam-se paralelismos entre o que merecia e o que teve, criam-se almas julgadas ou não de sacrifício. Criam-se juras, promessas de uma vida que a morte abafou por entrar sem dar sinal.
As vozes entoam-nos. São apenas breves ecos de que temos memória, sons esticados pelo tempo e destorcidos pelo raciocínio traidor. A consciência envolve-nos de tal forma que nos sentimos atados por esses mesmos ecos, por essas mesmas datas, pela vida que os mortos ainda depositam em nós. É a tal força, a tal estima.
As flores bonitas e aprontadas desta ocasião oferecem-nos cheiros, recordam-nos vivências. Simbolizam a homenagem, o respeito e o eufemismo contínuo e ignorante dos seres ainda salvos da terra fria. São os laços feitos; a flor como ponte para que essa união entre o real e o surreal constantemente se dê. (...)

Enchem-se de saudade e nostalgia os mais frágeis de sentimentos. Cobrem o coração de tristeza e respiram a memória dos momentos que, com eles, nunca mais serão revividos.
Há muito ou pouco tempo, eles, como a lei da vida o manda, partiram e o que é certo é que o fizeram para sempre.





tempo.