29.12.07

ponto de abrigo, perto de ti.

Está fria, sozinha, despida, a nossa casa. Nela, o silêncio em que cada um dos nossos corações se cala. A frieza da paisagem que observo lá fora; o nevoeiro que quase sinto e quase se-me derrete na pele e corta a visão, cada cristal, cada nós, cada um de nós nele reflectido. A minha memória quase congela o meu pensamento naqueles momentos. Tu sabes, aqueles nossos. Quase perco a cabeça e quebro este vidro gelado.
Ao fundo, está o sofá; O sofá em que tantas noites nos iluminávamos apenas pelo calor daquela lareira, ao canto, aconchegados de amor, na linha do pensamento do perfeito. Já me começa a doer o coração. (...)
Vamos, então, escolher uma música para redopiar nos nossos ouvidos, para entupir este silêncio absurdo. Num instante, o ar respira a melodia, e há cheiro em cada esquina, em cada porta aberta. As portas da nossa casa, do nosso mundo. O meu olhar afasta-se do vidro, e aproxima-se de nós. As cortinas fecham-se de quente. A minha cabeça dá meia volta e dou um passo e um sorriso.
Em cima da mesa, um bilhete.O bilhete em que me avisas que vais voltar.

20.12.07

onde ando eu


(Recordo-me com tanto orgulho. Eu não era assim.
Parece que, em cada dia que acordo, sou menos de mim.
É vicio do meu corpo, dos meus sentidos... talvez não dos cinco, mas daquele mais meu.

Dei e perdi tudo. Tenho saudades de mim, tantas.)

15.12.07

paragem emocional




Pára-se muitas vezes no tempo. Talvez o tempo não nos traga nada além do vento, talvez até nem sintamos que ele passou, está a passar, mas temos a necessidade de fazer uma pausa. Eu faço-as muitas vezes. Tantas quantas o coração pede. É que há um cansaço que surge, arranhado já, que não chega a roçar as palavras se quer. Não dói, mas incomoda-me. E é nessa altura que te procuro e tento amaciá-lo com o teu amor.... É que um carinho, às vezes, cai bem.






14.11.07

sim, o tempo passa

Eu sinto saudades.

Disse tudo, não disse?
Sinto saudades das vozes, dos passos naqueles corredores... naquelas escadas, do frio que tinha todas aquelas manhãs, das pressas e de tudo.
Dos abraços, dos cheiros e do horizonte que via la bem ao fundo. Das cores e das pessoas.
Das piadas, dos risos.

Sinto saudades. Sinto saudades de tudo.

13.10.07

O tempo passa.


O tempo passa.
De repente, paramos e vemos o que ficou nas nossas costas, vemos os nossos momentos, as nossas rotinas... que, sem lhes dar justificação, largámos. Vemos o que tanto gostávamos de fazer, vemos a nossa vida.
E eu vejo-a assim todos os dias. Recordo todos os dias os meus erros, os caminhos que fui minuciosamente escolhendo, os meus hábitos.
Facilmente se vai percebendo que tudo muda, que os nossos sentimentos são dos outros. Infelizmente ou não, somos escravos do tempo que passa em e por nós. Custam-me tanto deixar.
Custa-me tanto afastar-me. Custa-me tanto ter que esquecer.

8.9.07

Sinto tremer-me por dentro, por fora, por todos os lados.
Dói-me a garganta de todas as palavras que estão lá presas, que não te consigo dizer.

8.8.07

sempre o sempre

Este sentimento estranho que nos rodeia não vai desistir de nos perseguir.
Segue-me todos os dias. Desde o momento em que acordo ao teu lado até ao momento em que fugimos, a disparar palavras soltas que nos magoam, sempre e cada vez mais. Há sempre o sempre. Há sempre no ar, nas frases, na tua boca. Há sempre o nunca, sempre o talvez... sempre o fica.
Andamos fugidos do tempo, e ele sempre atrás de nós.

26.7.07

Pára lá a música.
Ouvi-la deixa-me surda por dentro.
Gastas-me.
Não suporto.
Mas quero.
Fim.

20.7.07

Vou-me agarrar às palavras. Fazem-me tão bem!
As minhas melhores confidente; guardam os meus segredos como ninguém. Guardam também os meus sentimos alegres, os meus sentimos magoados e, acima de tudo, são pacientes e não me denunciam.
Mas... cada uma delas, em cada sílaba que escrevo, elas fazem-me lembrar de Ti. Amor desmedido.
(...)

desmedida

E calaste-te.
Já te calaste uma vez, duas, três... tantas vezes que já perdi a conta. Acabaste por voltar uma vez, duas, três... tantas vezes que me dói a moleza com que me fui deixando levar por ti. Arrependida não será o termo, talvez descontente comigo mesma. Essa força que me arrancava de mim, me esquecia e me fazia acreditar no impossível. Força essa que não tem par e cada vez cresce mais e mais. Mas, afinal, o que quererá isto dizer? Se eu sou dotada de consciência e capaz de racionalizar estratégias, porque é que não sou capaz de me auto-defender de ti? Porque é que me renasce a todo o instante uma angustia ferida, ferida por ti? Eu não quero mais perguntas. Alias, eu nem sei o que quero. Não sei se te quero, se me fazes bem. Já nem conheço a rua por onde passo todas as tardes à mesma hora. Contigo esqueci a toque do concreto, vivi (e vivo) em sonho.
Acredita, basta uma prova, e faço tudo por ti.
Mas agora estou cansada, gasta, triste, abanada. Tudo num, para passar rápido. Foi das vezes que foste e voltaste. E tudo em nome que voltes.













perdida.

22.6.07

há uma hora


Passou uma hora. Hão-de passar duas, um dia, uma semana, um sempre. Um sempre que nunca me pareceu que fosse assim. Um sempre que prometemos um ao outro que nunca não seria assim. Mas com que direito vamos nós invadir o futuro? Onde vamos buscar todas aquelas forças para tomarmos o mundo como nosso, onde fazemos da realidade um sonho e de onde não queremos sair? Porque é que existem palavras? Porque é que existem palavras que nos fazem sentir? (...) Tudo isto existe, e existe porque tu e eu existimos, mas o nós já existiu.




.

26.5.07

choque

Falta-me atropelar os teus sentimentos para perceber se te arranco alguma dor nas tuas emoções, para saber que são verdadeiros, para saber que vivem. Vivem especialmente em ti e por mim.


(...)

24.5.07

afonia à segunda palavra

Escorre de lá de fora para aqui. E parece-me que não vai parar de ser assim.
Talvez seja para acalmar a voz que me arde cá dentro, que não sai e me esgana. Que me rói e me faz soltar um amontoado de palavras falsas, fantasmas do seu próprio significado. Tentei expulsar-te de mim, mas, mais uma vez, as frases queimaram-se e eu feri-me. Agora doi-me!... doi-me o lugar intermédio em que te continuo a esperar todas as mesmas tardes. Perseguem-me as horas, os minutos e todos os segundos que sobrevives no meu interior. O teu respirar esvoaça, e assusta os meus gestos. Quando me deito, fecho os olhos e lá estás tu, a arrancar tudo o que vês em mim, se me arrancasses pelo menos duas palavras, saberias como me sinto com e sem ti ao mesmo tempo.


É é como se, para não me deixar, tivesse que te soltar primeiro.

17.4.07

lados inversos


Senti sol e chuva.
Uma vaga de sentimentos passou por aqui. Arrastou consigo abraços, promessas e momentos passados. De tão imprevisível ter sido, eu simplesmente fui contra ela, a toda a força. Destruiu o meu interior e deixou dúvidas, muitas dúvidas acerca do que sinto por Ti.
Se pudesse sentir os sentimentos como sinto a relva debaixo de mim, talvez te dissesse na cara tudo o que está aqui entalado. E talvez ficasse tudo bem de novo. Era o que no fundo queria...





- esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais.

5.4.07

acreditas?

Sei-te melhor do que o que pensava. É-me impensável alguma vez te magoar, porque também estaria a fazer mal a mim mesma. És-me mais do que o que eu julgava, fazes-me falta. Não duvides.
(...)


E com isto realiza-se que tudo muda, tudo muda mesmo. Do estar bem ao estar mal, do estar mal ao estar bem. Podemos perder tempo, mas ganhamos esperança e vida.
Talvez as tuas palavras compensem isso, é que, mais tarde ou mais cedo, são ditas e sinceras.
(...)
Já outro dia senti o tempo a passar por mim, mas ao mesmo tempo enchia-me de vida, tão devagar... tão calmamente...
Caminhava então, acompanhada daquela música, naquela estrada, naquele dia.
E tudo me parecia tão simples, tão simples quanto o é. E, naquele momento, vivi.




- do you believe in what you feel?




4.4.07

primeiro

- não ficou esquecido.

Logo, venho cá para escrever aqueles momentos. Prometo.

1.4.07

a perceber

- Tira-me daqui.
Ele disse, assim, em tom de conversa já meia desafinada.
Cá dentro, eu sorri. Um sorriso franco e espontâneo, tal e qual.


Se um dia quiseste chorar, garanto-te que tudo vai mudar.
É que sabes... não sorri por nada, sorri por tudo. E os bons momentos fazem-se assim.




-excerto.

25.3.07

cinzento

A vida é sempre a perder.

14.3.07


- dispersada.

guerra

É isso. Estou conscientemente a comprar uma guerra com os meus próprios sentidos, despromovidos de ser.
(...)


Como é que tudo isto irá acabar...

10.3.07

confidencialmente

Realmente, que dom poder escrever em português; ser portuguesa de raíz e conseguir articular harmoniosamente as palavras mais fugidas. (...) Digo isto porque, não só em tom de crítica à ignorância dos mais pobres de espírito, que inocentemente vão, cada vez mais, afastando a nossa cultura de nós, como também, e, de certa forma, em jeito redundante, enfatizar a Língua Portuguesa, torná-la mais próxima. A arte do bom português não deve ser fácil. Não a conheço e ela não me quer conhecer. De qualquer forma, o que consta é que frequentamos os mesmos sítios e somos habitantes da mesma região. Duas semelhanças, a parecer já afinidades a mais. O olhar do português é crítico. Pena só o ser para o que está exteriormente anexado a si, objectivamente ou não, não se sabe. Critica o que ouve, o que vê, mas, curiosamente (ou não), aquilo que é não, é que nem construtivamente o faz. Mas quem sou eu para o dizer? Acho que apresentar aqui o facto de ser portuguesa não ia ajudar em nada, pelo contrário, seria tudo menos um argumento a meu favor... Mas abstraiamo-nos disso. Quem sou eu afinal?





(confidências da memória) shiu.






13.2.07

vento

Nunca mais vão haver as tardes solarengas, em que me contavas tudo. Não vou mais ouvir as tuas lamentações, ser a tua confidente. Lembro-me quando me contavas tudo, tudo, mesmo tudo. E tenho saudades, elas invadem-me mais rápido do que o eu queria... Sei que vou precisar e tu não vais estar e isso aperta-me cá dentro. Sinto saudades de me sentir protegida por ti.






-going back

arrepio


Sou e estou eu, mas não me vejo.

3.2.07

refugio II

Deixem, deixem andar o mundo. Deixem andar a miséria, que parece ter um duplo sentido.
Mais grave que a miséria que se vive, é aquela que se pensa. É a ridicularidade de tantas mentes que por este mundo andam... é a vida não ser viva, porque não a sabem viver.
Deixem correr os rios para o mar. Deixem afogarem-se os ignorantes de espírito e os nobres. Os 'outros' e o 'eu' em mim. Deixem-me inundar de mágoas e pensamentos mágoos. Que a vida seja feita de desencontros e de sofocos passionais, sofregos pela emoção.
Dá-me paz onde eu possa aguar as minhas tristezas, dá-me tinta para concretizar os meus sonhos no teu projecto de ser.



-ponto de fuga.

28.1.07

enterra-te

Tenho saudades. Muitas saudades tuas.
A balada daquelas alturas embalava cada vez melhor... cada vez tenho mais vontade de falar contigo, contar-te o meu dia.

Sabes o que é, afastares-te da minha pele e eu sentir q estás ainda mais cá dentro? Julgar que tudo vai mais uma vez mudar, que vamos estar bem de novo, para sempre?
Eu devo ser mesmo inocente... espero que esta inocencia não se acabe em Ti.






times of sweet deslusions

15.1.07

"Andamos em voltas rectas na mesma esfera."

Sou eu, banalizada pela influência que todos os outros depositam em mim. Quero roubar-me para o infinito. Levar só, e só, aquilo que é verdade. Apetecia-me desmascarar toda a gente..
Andamos, andamos, andamos... o espaço é o mesmo, mas nunca te cruzei por aí.

3.1.07

noite

Naquela noite...

Qualquer tipo de paz me era útil, agora.
Qualquer sentimento desperto de felicidade e de esperança me era necessitado, agora. (...)

Eu voltei ao mesmo sítio, percorri o mesmo caminho, olhei o mesmo céu, que terrivelmente estava diferente. Faltavam as estrelas. Foi. Senti-me numa inutilidade retardada, que me fez, inevitavelmente, voltar àquele passado. (...)

Julgo que a vida tem vários "presentes": épocas, espaços, momentos que ficam guardados quase que tumultuosamente pela nossa consciência, caracterizados por cores, sítios, cheiros, dias... E esses "presentes" vâo aumentando ao longo do tempo, ao longo da nossa história cá, que se vai, cada vez mais, completando.
Posso dizer que o momento em que vivi pela primeira vez o que revivi hoje foi um dos "presentes" que mais me marcou no passado.
Livre de sentimentos sujos, amargos, levantei-me de cabeça erguida. Era noite, mas estava calor; talvez fosse Verão. Olhei lá para fora e um silêncio uniforme de relas atropelou-me muito suavemente, convidando-me a sair. Eu fui. Já fora, olhei em redor e nada vi senão umas escadas mesmo à minha frente. Entre a dúvida do ficar ou do voltar, sentei-me.




juana